31.08.09

Ela nunca tinha gostado de tais seres. Eram viscoso, ou voavam por tudo o que era sitio, ou picavam-nos durante o sono. Seres completamente indesejados, nascidos unicamente para chatear a humanidade em geral. Mas havia um que ela odiava mais que todos os outros: centopeias. Apareciam pelo menos uma vez por semana no quarto e ela não descansava enquanto não a matava. Não sabia de onde vinham tais coisas. Do cano do esgoto? Do quintal? Só sabia que a enojavam e quando as via apetecia-lhe espezinhá-las e deixá-las a contorcerem-se até que acabassem por sucumbir.

 

Já ele não se importava muito com insectos. Deixava-os andar pela casa e tentava acalmar a fúria assassina dela enquanto os perseguia. Achava um exagero aquela reacção, aquela vontade de desfazer os pobres bichinhos. Lembrava-se de quando era mais pequeno e brincava com eles horas a fio. Chegou a ter doi ou três grilos, para mal dos pecados da sua mãe, que, tendo um sono sempre muito leve, não dormia nada com a cantoria destes.

sinto-me:
música: Braveheart Theme
publicado por S & J às 13:54

26.08.09

Era verão e resolveram ir à praia. Ele estava muitissímo entusiamado, ela, por muito estranho que pareça, parecia também sentir-se feliz com aquele diferente programa de férias. Normalmente as férias eram sempre dedicadas por completo à pintura nunca mais nada era feito. Ir à praia parecia ser uma agradável decisão que tinham tomado em conjunto. Provavelmente a melhor de sempre. Já era meio de Setembro e, à excepção de um ou outro banhista nacional, a praia estava quase deserta. Ela sentiu o que há muito não sentia: calma. Pela primeira vez em meses e meses ela sintou calma e deixou-se envolver pelo ambiente. As ondas, o seu som, as mãos a passar pela areia, o sol... Sentiu-se leve e prestes a flutuar.

 

Ele gostou de passar aquele dia assim. Há muito tempo que não fazia nada do género e sentiu-se realemnte entusiasmado por ir fazer algo diferente, sair da rotina, mas não passou disso. Apesar do entusiasmo todo não sentiu nem de perto, metade do que ela sentiu. Apesar de parecer sempre muito distante e fria, ela vivia tudo com muito mais intensidade tudo parecia ter mais significado para ela do que para ele.

 

A profundidade era, talvez, o que mais os dividia. Desde sempre, mas agora notava-se mais.

sinto-me:
música: Otis Taylor - Ten Million Slaves
publicado por S & J às 16:20

20.08.09

Ele não lhe podia dizer nada, podia desconcentrá-la, e isso ele não queria de maneira alguma. Lembrava-se muito bem da última vez que isso acontecera: vidros partidos e comida espalhada pelo chão, um ou outro arranhão na mão, e ela com aquela cara completamente irreconhecível. Nunca mais a queria ver naquele estado! E tudo porque lhe perguntara se queria mais sal na esparguete...

 

Casaram-se e nem ele, nem ela, provavelmente, sabiam muito bem porquê. Sim namoraram imenso tempo e davam-se muito bem mas... faltava-lhes qualquer coisa. Ela dizia que ao pintar se sentia completamente preenchida, ele ainda não tinha encontrado essa fonte de preenchimento que tanta falta lhe fazia. Já tinha tentado escrever, ler, fazer exercício físico, ver filmes, mas parecia que nada fazia o "click", nada encaixava na precisão. Um dia começou a cozinhar e, de tudo o que já exprimentara, era o que mais o entusiasmava. Nos fins-de-semana, com mais tempo, confeccionava refeições dignas do mais completo dos casamentos. Mesmo assim, ainda não era aquilo que o fazia sentir-se completo. 

 

Os quadros que ela pintava continuavam a ser, quando findados, espalhados pela casa, sem nenhum padrão em especial. Continuavam a ser quadros lindíssimos quando não sabíamos a concepção real deles, quando os víamos sem a prévia e crua leitura da pintora. Assim que ela o fazia, o melhor era nunca mais olhar para eles, sob a pena de sentir uma enorme vontade de vomitar as tripas. O que ela fazia para que fossem tão poderosos depois da sua explicação? C'os diabos...

sinto-me:
publicado por S & J às 14:01

11.08.09

- O da casa de banho ficou a meio, não consigo pintar mais.

- Tudo bem, amanhã acabas. Posso vê-lo?

- Eu preferia que só visses quando estivesse acabado... Se não te importares...

- Claro que não!  - deu-lhe um beijo na testa, meio sarapintada com tinta em tos vermelhos e alaranjados.

 

Compraram a casa e ela fez questão de pintar um quadro para cada divisão. Ele explicou-lhe que era bem mais simples comprar quadros ou mandá-los pintar áquele colega do secundário, mas ela fez questão. Os quadros eram estranhos. Era chato dizer-lho directamente mas eram mesmo estranhos. Ninguém quer ter à cabeceira da cama um quadro que, segundo a artista, relata uma violação de uma rapariguinha, e ninguém quer tomar o pequeno almoço de costas para uma tela que retrata um gato atropelado. Mas ela era mesmo assim... Nada a fazer nem nada a temer.

 

sinto-me:
publicado por S & J às 17:12

30.07.09

Já era tempo de fazer um post, não posso deixar tudo para a Sofia

Venho falar-vos de um tão conhecido festival de verão.. Opitmus ALIVE! 2009.

Este ano o festival contava com inúmeros talentos, tais como os Metallica,Black eyed peas,Dave Matthews Band, Placebo e tantos outros. Só tive oportunidade de ir um dia ( com muita pena minha!!) Depois de longas horas de meditação, eu e a Caty ponderamos qual seria o melhor dia.. 

 

O 1º dia do festival pertencia ao Metal.. e como não sou grande fã não me sentia muito atraída.. fiquei triste de não ver Crystal Castles e KLAXONS.

O 2º e 3º dia é que já eram uma história diferente. No 3º dia tínhamos Chris Cornell e Black eyed Peas (que eu queria muitoo ver) mas no 2º tínhamos The Prodigy,Blasted Mechanism,Placebo,The Ting Tings.. Optámos então pelo 2º dia! Que a meu ver foi o melhor.  Em geral gostei de todas as bandas que consegui ver (ainda foram algumas!)

 

Os Placebo apresentaram o novo álbum, Blasted Mechanism mantiveram sempre o espectáculo ao mesmo ritmo, não deixando de ser bom!Gostei muito de Does it offend you,yeah? e Hadouken!. Vi ainda The Kooks e Late of the pier, e a noite acabou com The Prodigy e The Ting Tings. Ambos muito bons, só tive pena de não ver tudo de The Prodigy. Mas pronto, para o ano há mais!

 

peace, Joana

 

sinto-me:
música: The Prodigy – Smack My Bitch Up
publicado por S & J às 16:28

20.07.09

Foi-me oferecido nos anos e comecei a lê-lo ainda estava em aulas, mas a leitura, inicialmente, tinha um ritmo bastante fraco, 15, 20 páginas por dia. Li num total de 100 páginas até o interesse pela história subir e aí não consegui parar!

 

É um livro com cerca de 800 páginas, não é que isto seja algo de relevante, uma vez que a história é lindissima!

 

     O planeta Terra foi invadido pelas Almas, que vinham na missão de "endireitar" os Humanos do caos que tinham causado nas últimas décadas. Essas almas eram então inseridas dentro dos humanos, de modo a que tomassem controlo dos corpo em que estivessem inseridas. A caça aos humanos estava lançada. 

       Melanie Stryder, uma jovem de 16 anos, estava refugiada com o irmão e com Jared, um rapaz ainda humano que se juntou a eles, separaram-se, ficando Melanie sozinhae sendo capturada pelos Batedores, que a levariam para a inserção da alma Nómada.

        Após algum tempo de inadaptação da alma ao corpo, uma vez que Melanie ainda estava presente, não tinha sido apagada como era a intenção desta invasão, elas vão á procura de Jamie, o irmão de Melanie, e de Jared. Ambas partilham agora as mesmas emoções, impulsos e sentimentos.

          

Adorei o livro e recomento vivamente. A autora é fantástica e sabe como "agarrar" o leitor. Fiquei fã.

 Nómada de Stephanie Meyer

P.S - Não se deixem enganar pelo numero de páginas! Isso é o que menos importa.

 

Sofia A. Silva Mendes

 

sinto-me:
publicado por S & J às 22:23

08.07.09

É fantático como se arranja sempre uma solução para tudo! Acabou-se o leite? Compra-se mais! Estragaste o telemovel? Compramos outro!  Sujaste a camisola? Vamos lavá-la! Partiste o teu brinquedo? Vamos colá-lo! Parece que é tudo tão fácil de consertar! Ninguém já se preocupa se se estraga alguma coisa porque o arranjo ou a solução será tomada facilmente e sem grandes preocupações...

 

Os objectos são descartáveis ( então e não foram sempre? ) Claro mas até há bem pouco tempo mesmo que algo estivesse estragado, uma bonheca, um peluche, um livro, aquele objecto que nos era mais querido ia ficar sempre num cantinho, nem que fosse numa gaveta, enquanto que agora já nada é assim... Lixo com eles!!!

 

Confesso que os meus ténis preferidos estão a cair de podres e não consigo deixar de os usar... Mesmo sobre a chantagem de me comprarem uns iguais...

 

Sofia A. Silva Mendes

 

sinto-me: Não sei bem ...
música: The Greatest - Cat Power
tags: ,
publicado por S & J às 14:01

04.07.09

      Era Verão ou Primavera, e eu passeava pelo jardim. Aproveitara aquela hora mais fresca para levar a minha cadela, a Narcisa, a aliviar-se. O jardim era mesmo em frente do meu prédio. Um belo jardim cheio de árvores, e tantas outras plantas esplêndidas e cuidadosamente tratadas. Por consequência deste denso bosque a zona onde vivia era mais fresca e resguardada, fosse Verão ou Inverno. Aqui cumpria o meu sonho de viver numa casa de campo, uma silenciosa e protegida casa de campo.

 
Fui mergulhando naquele pequeno mar verde, onde me sentia como um peixe rodeado de coral. Segui numa caminhada de quase uma hora, com algumas paragens, é certo, mas o meu ainda jovem corpo já se ressentia. Sentei-me num banco de madeira, os típicos bancos de jardim, que se encontrava diante do parque infantil. A energia daquela pequenada era com um elixir para a alma, corriam, saltavam, riam, pulavam e voltavam a correr. Sorri por várias vezes enquanto assistia ás mais variadas brincadeiras.
 
Reparei, largos minutos após me ter sentado, que estava a meu lado, para além de Narcisa, uma rapariguinha, com não mais de dezoito ou vinte anos. Resolvi meter um pouco de conversa pois, visto ser freelancer há muito que não falava com ninguém, á excepção da minha mãe, que me ligava dia sim, dia não.
- As crianças são mesmo uma força da natureza, hein?
A rapariguinha olhou na minha direcção, mas não se pronunciou.
- Aquela energia toda dava-me imenso jeito nas minhas maratonas noite dentro para acabar este ou aquele trabalho... – insisti.
 
Foi então que a rapariguinha tirou da mala um pequeno bloco, com capa dourada, e começou a escrever.”Já meti o pé na argola”, pensei. A escrita durou largos minutos, até que esta rasgou a folha e ma deu para a mão.
 
“ Sou surda, penso que já reparou nisso, mas distingo ainda muito bem o que vejo. Sim, é verdade, as crianças são uma força da natureza, mas já reparou que são também a digamos classe onde se notam mais as diferenças? Onde por tu seres de raça negra e eu ser de raça branca não brinco contigo, ou onde por tu não teres este ou aquele brinquedo não sou teu amigo? Todos lutam pela igualdade de direitos, independentemente da raça ou religião, e, com a idade vamos tomando o nosso partido, começamos a tomar consciência de tudo o que nos rodeia, tornamo-nos autónomos e deixamos de nos contentar apenas com os dogmas que nos transmitem pais e avós, mas em tão tenra idade acha que estas crianças já tomam algum partido? Acha que não brincam com este ou com aquele menino só porque sim? As crianças são cruéis, ás vezes cruéis de mais, mas toda essa crueldade não é mais do que um reflexo do que lhes é transmitido consciente ou inconscientemente pelos próprios pais. É triste, mas é a verdade...”
 
Li aquilo duas, três, quatro vezes até conseguir dizer alguma coisa. Fiquei completamente sem palavras.
 
Olhai novamente e mais atentamente para o parque, onde estavam ainda mais crianças do que da última vez. Tentei compreender o ponto de vista da rapariguinha. Oh meu Deus, como era verdade o que ela me tinha escrito! Crianças de raça branca batiam nos de raça negra, chamavam-se nomes uns aos outros, os pais também discutiam, fugiam literalmente uns dos outros, chegando mesmo a notar-se uma espécie de duas manchas, uma negra e uma branca, uma do lado direito do parque, outra do esquerdo. Senti-me como que um cego.
 
- Pois, tinha toda a razão. Como se costuma dizer o pior cego é aquele que não quer ver...

A rapariguinha, sem desviar os olhos do chão, assentiu com a cabeça. Não tive coragem para dizer mais nada, levantei-me e voltei para casa. Durante todo esse dia, esse longo e preguiçoso dia, não consegui pensar em mais nada senão naquele pequeno pedaço de papel.

 

Sofia A. Silva Mendes

música: Heavy Cross - Gossip
publicado por S & J às 11:43

30.06.09

Está calor? Huum...

Hoje não sei o que vim aqui fazer. "Ah pois e tal, esta não deve ter mais que fazer, vem para aqui fazer conversa da xaxa..." Pois não meus amigos, não tenho mesmo nada para fazer! Estou de FÉRIAS! E agora aindame sinto feliz por estar de férias, daqui por mais algumas semanas e já vou estar farta. "AI QUE PARVA! COMO É POSSIVEL ALGUÉM ESTAR FARTO DE ESTAR DE FÉRIAS?!" Pois, mas eu farto-me. Penso todos os dias tirar o dia sentada ou deitada no sofá e ver televisão, comer chocolates ou batastas fritas todo o dia! Mas desisto depois de me sentir deprimida ao fazer um zapping pela televisão portuguesa. A grelha da manhã e da tarde é sem dúvida alguma deprimente! E não, não tenho meos e zons e coisas do género, vivo na aldeia e aqui não há nada disso! Talvez em 2012...

 

O que me vai safando do tédio destas fantasticas férias é a programação após as 22h40 na rtp2 e por volta da 1h nos restantes canais, que, por vezes, lá passam uma série, um filmezito...

 

Sofia A. Silva Mendes

sinto-me:
música: Air Traffic - No More Running Away
publicado por S & J às 12:10

29.05.09

 

         Acabava de se levantar mas já não sabia se tinha chegado a dormir. Estranho, pensou. Pensou mas depressa voltou a esquecer. Seria que dia? Terça? Quinta? Domingo? Sábado? Já nem se lembrava da ordem dos dias! Sentia um pequeno desconforto no estômago… Que sensação seria aquela? Nunca tinha sentido nada parecido, pelo menos que se lembrasse.

         Havia sob uma mesa umas coisas engraçadas, coloridas, dentro de uma bacia transparente, fria ao toque. Aquelas coisas cheiravam bem. E agora a dor no estômago agravava-se. Pegou numa das peças que se dispunham dentro da bacia, mas não sabia o que fazer com ela. Esqueceu-se. Havia um objecto estranho, com uma asa que continha um liquido transparente… Para que raio serviria aquilo? Não cheirava a nada…

- Então, mas isto resulta ou não?

- Sim, parece que sim… Mais umas horas e vamos ser os próximos Nobel da medicina!

- Esperemos bem que sim, esperemos bem que sim.

- Quem diria que um homem assim poderia ainda ser útil para alguma coisa?

         A dor aumentava consoante o tempo ia passando. Tentava lembrar-se do que já havia feito desde que ali se encontrava, dentro daquelas quatro paredes, mas não conseguia… Nada! Nem uma única coisa! Quarta, Domingo, Terça… Não! Não! Não! Isto não é assim! Sábado, Segunda, Quinta… Não é assim! Mas, mas… Meu Deus, oh Meu Deus eu não me lembro! Eu não me lembro! Vou ficar, vou ficar aqui… E sentou-se num canto da sala.

- Então, temos progressos?

- Sim, está praticamente terminado.

- Vamos salvar milhões de pessoas, sacrificando apenas uma… chega a ser poético! Mas, se formos bem a ver isto não pode ser considerado uma pessoa… é uma meia pessoa… só vai ter o fim que merece!

- Com o isolamento dos sistemas responsáveis pelos sintomas de Alzheimer vamos dar, já que mais não seja, uma morte digna quer ao paciente quer á família que o rodeia, uma vez que não sofre ao ver tal degradação mental, tão triste, tão desumana.

- Depois de todos os que ele matou pelo simples facto de lhe apetecer embirrar com todos os que não o seguiam…Aramado em soldadinho de chumbo… Devia julgar-se algum Napoleão… a julgar pela altura…

- Hitler vai ter o fim que merece.

- Quem diria que esta abécula ainda por ai vagueava… Todos o julgavam morto e andava por ai, a viver em becos e ruelas, ao relento…

sinto-me:
publicado por S & J às 19:14

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